domingo, 28 de agosto de 2011

Do bife ao infinito

“DO BIFE AO INFINITO....”,

           Respondeu Marilena Chauí[1] em uma entrevista quando foi perguntada sobre as sua preocupações diárias. Nunca um desabafo foi tão verdadeiro: o mundo feminino realmente é um caldeirão de variedades e diversidades, muitas vezes ininteligível ao universo masculino; por isso somos sempre alvo de muitas piadas.
           O fato é que as leitoras das revistas femininas não buscam mais, ou somente, dicas de prendas domésticas. Houve uma rápida mudança em seu ambiente com o passar dos anos. Não sabemos quando e nem exatamente porque, mas as mulheres se atreveram e entraram em espaços até então estritamente masculinos, e com muita mestria e perfeição. Com isso, os meios de comunicação até então dirigidos exclusivamente a elas, sofreram uma tremenda crise de identidade e de realidade: deveriam se adequar ao seu novo estilo de vida e comportamento.
           As típicas matérias sobre culinária e beleza tiveram que quebrar paradigmas e desvendar novos horizontes para acompanhar essa evolução: o bife se tornava apenas o começo de uma vastíssima gama de interesses que deveriam acompanhar a comunicação impressa dedicada a esse novo público feminino. Matérias políticas, econômicas e variedades foram inseridas para tentar acompanhar os interesses desta nova mulher que veio para ficar.
           A mulher moderna, atuante, mãe e profissional, ainda se ‘pega’ lendo a sua revista preferida. Mas o que será que ela busca lá? Culinária, cremes milagrosos, receitas de saúde, cartas com histórias reais, moda, comportamento; enfim, entretenimento ou informação: acredito que tudo ao mesmo tempo e agora. Sim, temos essa imediaticidade. Talvez dependa muito da fase em que se encontrar essas mulheres de Vênus, complicadas e perfeitinhas[2], como diz a música.  Às vezes esta revista é apenas folheada ou avidamente lida do começo ao fim; por outras, procuramos o inebriante luxo de suas propagandas com suas roupas e perfumes maravilhosos postos à venda para nosso delírio total. Será que nos incomodamos com os corpos malhados e desprovidos de gorduras ou podemos considerá-los como estímulo para enfrentar as dietas? Achamos tudo isso muito fútil ou buscamos os endereços para comprarmos aquelas roupas e nos tornarmos à sua imagem e criatura?
           Seja como for, o fato é que mudamos nosso comportamento, mas não o nosso hábito. Ainda gostamos do charme, do romance e do frescor de uma doce revista feminina, já que às vezes só o que queremos é nos deixar levar pelo rolar das páginas, alegremente coloridas e intrigantes, cheias de imagens e mistérios.

Andrea Clemente


[1] Marilena de Sousa Chauí, (São Paulo, 4 de setembro de 1941) é uma filósofa e historiadora de filosofia brasileira. Professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marilena_Chaui. Acessado em: 22/02/2010.
[2] Mulher de Fases. Raimundos
Composição: Rodolfo / Digão / Fred / Canisso. Disponível em: http://letras.terra.com.br/raimundos/48248/. Acessado em: 22/10/2010.

3 comentários:

  1. Achei a Cronica 'DO BIFE AO INFINITO"uma

    coisa maravilhosa.

    PARABENS

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